O distrito de Cachoeira do Campo possui atualmente duas corporações musicais: a Banda Euterpe Cachoeirense e a Corporação Musical União Social. Com certeza uma riqueza inigualável quando sabemos que o distrito possui pouco mais que 6000 (seis mil) habitantes enquanto várias cidades mineiras maiores possuem apenas uma ou até não possuem sequer uma banda.
A rivalidade entre as duas corporações hoje, nem se compara ao que foi no século XIX e nas décadas de 10 a 80. A relação entre as corporações, hoje, é mais amena, limitando mais basicamente ao contexto musical. No entanto, na época em que a política era acirradíssima, também os membros das corporações se exaltavam para defender seus interesses e os da sociedade predileta.
Poucos sabem que estas duas corporações um dia, num passado distante, formavam apenas uma banda, a Euterpe Cachoeirense. A questão sobre o que realmente aconteceu para haver a separação é complexa, pois se conhecem várias versões, no entanto, ninguém tem certeza absoluta de qual foi a verdadeira. Alguns acreditam que foi causada por uma serenata: os músicos resolveram fazer uma serenata, só que apenas alguns foram chamados para tal apresentação. Aqueles que não foram convidados a participar ficaram ofendidos e decidiram montar uma banda própria.
Outra versão diz que, durante a serenata, soltaram fogos de artifício e um deles caiu na casa paroquial. O pároco irritadíssimo com o ocorrido, manifestou em um sermão durante a missa toda a sua ira contra os músicos seresteiros. A partir daí, formou-se então a dissidência, uns apoiaram os músicos e outros se solidarizaram com o padre e abandonaram a banda, indo fundar a União Social.
Ainda existe outra versão revelando que um músico conhecido como João Gonçalves, após não ser escolhido mestre da banda, abandonou-a. Daí, ele comprou alguns instrumentos para si na histórica cidade de Ouro Preto. Alguns membros da Euterpe que andavam desgostosos com a autoridade ríspida do novo mestre ( um músico chamado Mestre Chico ) passaram a serem vistos andando com João Gonçalves. Para não magoar o fundador da Euterpe, Capitão Rodrigo Murta, estes músicos não tomaram nenhuma decisão precipitada e se mantiveram com a Euterpe. Somente com a fatídica serenata, veio à tona a dissidência.
Qual das versões é a verdadeira? Ninguém sabe ao certo. Existirão outras versões? Provavelmente! O mais plausível até hoje é que tudo aconteceu em torno da serenata. O que importa é que seja lá qual teria sido o motivo da separação, tornou-se o marco inicial da história da rivalidade entre duas bandas centenárias.
Fonte: www.netpage.em.com.br/robjp/porthistoria.htm (antigo site da Banda Euterpe Cahcoeirense)

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