A Banda Euterpe Cachoeirense do século XIX foi constituída com interesses mais partidários e políticos do que artísticos. Era tempo em que os conservadores e liberais disputavam a hegemonia política do Império e se faziam conhecer noutros setores da vida social, através da imprensa e outros empreendimentos culturais na Província de Minas. A fundação de uma banda, num contexto de musicalidade reconhecida desde os tempos coloniais, representou, durante quase meio século de lutas interpartidárias, a marca do partido Conservador naquele distrito e a adesão de um clã com raízes locais. O partido conservador era o partido da situação. Tinha o apoio dos ex-combatentes da Guerra do Paraguai e desfrutava do apoio dos seguidores da Euterpe. Do outro lado havia o partido Liberal, de oposição, do qual não temos informações a respeito de sua constituição.
Em Cachoeira do Campo, a banda de música do século XIX tinha realmente cunho político. Foi organizada não mais em função de atividades de culto religioso, mas em função de agremiações políticas com propósitos de sensibilização e apoio à expansão dos partidos. Representava um instrumento de propaganda ideológica, aliado nas disputas eleitorais na medida em que era mais um empreendimento para as populações que votavam e uma espécie de benefício estendido ao povo em geral.
O fundador da Banda Euterpe Cachoeirense, Capitão Rodrigo José de Figueiredo Murta, e seus parentes eram do partido Conservador. Aliás, a família Murta teve e tem uma participação marcante na história da corporação. Desde a fundação até os dias de hoje, a corporação sofre influência direta da família que se tornou um marco referencial quando o assunto é Banda Euterpe Cachoeirense.

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