segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Revista: O CRUZEIRO e o CENTENÁRIO DA BANDA EUTERPE CACHOEIRENSE

O desrespeito para com as bandas de música já aparece no título da matéria. Charanga é termo para designar grupos musicais formados eventualmente, sem qualquer organização. Não é o caso focalizado pela revista. Nas únicas fotos das bandas formadas, elas aparecem à paisana, isto é, sem fardamento, mas a isso se submeteram sem imaginar o que a revista faria. De boa vontade posaram para os repórteres, uma semana antes por ocasião do ensaio dominical, esperando deles lealdade. Uma curiosidade na foto: no sobrado à direita hospedou-se o imperador D. Pedro II e sua comitiva, quando em visita a Cachoeira do Campo, durante sua última viagem a Ouro Preto. Ele possuía propriedades rurais em Cachoeira.


Obs: Infelizmente, o sobrado não mais existe.


MATÉRIA DA REVISTA: O CRUZEIRO
 

Da esquerda para a direita quatro instrumentistas dos mais velhos na Banda Euterpe Cachoeirense: José de Almeida Pontes, Oswaldo de Lemos, João Pedro Ferreira Leão, e Cândido Viana



 
 
 
 

BEC SE FAZ PRESENÇA NO ENCONTRO DE BANDAS DA CIDADE DE MANHUMIRIM-MG

Dezoito bandas de música, de Minas e do Espírito Santo,encontraram-se na cidade da Manhumirim-MG, no dia 31 de julho/2005. A Banda Euterpe, a primeira a chegar ao local, abriu as apresentações dando um 'show'...

Apresnetação da Banda Euterpe Cachoeirense

A BANDA EUTERPE TAMBÉM FOI PRESENÇA NOS 141 ANOS DA SOCIEDADE MUSICAL UNIÃO SOCIAL

As festividades dos 141 anos da Sociedade Musical União Social, foi realizada no dia 18 de Setembro do ano de 2005.
Entre várias corporações musicais, destaca-se a presença da Banda Euterpe Cachoeirense.

A Banda tocando de frente para a sede da Sociedade Musical União Social.

BANDA EUTERPE CACHOEIRENSE NOS 140 ANOS DA SOCIEDADE MUSICAL UNIÃO SOCIAL

A festa dos 140 anos da Sociedade Musical União Social, foi realizada nos dias 04 e 05 de Setembro de 2004.
Várias Bandas participaram das festividades, como:
* Sociedade musical Santa Cecília de Rodrigo Silva / Ouro Preto-MG

* Corporação Musical Sagrado Coração de Jesus de Padre Viegas-Mariana-MG


* Corporação Musical União Operária de Nova Lima-MG


* Banda de Música Benício Moreira de Santa Luzia-MG


E a Banda Euterpe Cachoeirense

6º ENCONTRO DE BANDAS DE MÚSICA DO SESC-MG

Realizado na manhã de domingo, 17.10.2004, na Praça da Liberdade/Belo Horizonte, o encontro musical promovido pelo Serviço Social do Comércio/Minas Gerais - SESC/MG, demonstrou mais uma vez a evolução que se processa nas bandas de música, embora os esforços na busca da qualidade nem sempre encontrem respaldo junto às autoridades da área cultural, ou que lhes seja reservado na mídia, pelo menos, uma migalha do espaço dedicado ao futebol. Corporações musicais de cidades pobres, como Piranga-MG, por exemplo, realizam trabalho sobre o qual as atenções da sociedade deveriam estar focadas com estímulo e amparo, para que os frutos não se percam. A música é o caminho, por excelência, por onde o jovem pode encontrar a realização do seu ideal de vida. Vale lembrar que, não muito longe no tempo, vozes pessimistas diziam que as bandas de música estavam fadadas ao desaparecimento porque, segundo seu entendimento, os jovens "não queriam saber de nada", não tinham apreço a elas e as consideravam coisa ultrapassada. Quem alimentava esperanças na preservação das bandas de música acreditava que o aparente desinteresse dos jovens estava ligado ao acomodamento da geração dominante, que passou a "engolir" qualquer porcaria produzida lá fora, em detrimento daquilo que produzimos culturalmente. No passado mais longínquo, os interessados iam ao encontro das bandas em busca do aprendizado. Outros interesses e atrativos desviaram a atenção dos jovens, mas os dirigentes de bandas de música persistiram na passividade, à espera de que eles as procurasse. Novas maneiras de enfocar a questão de renovação da fileiras produziu uma reviravolta e o que se vê hoje são bandas, cuja base de sustentação é a juventude. Felizmente, os pessimistas não tinham razão, como sempre! O que ainda precisa ser renovada é a mentalidade de certos agentes políticos, perdulários no apoio a projetos estranhos ao nosso modo de ser e mãos-de-vaca com a verdadeira cultura local, negando até o simples transporte de banda de música na representação além fronteiras municipais. A administração municipal de Ouro Preto, notória por seu descaso para com as bandas de música locais, reafirmou essa posição às vésperas do Encontro promovido pelo SESC-MG. Quando a Banda Euterpe Cachoeirense, única das bandas ouropretanas a participar do evento, estava com tudo pronto para excursão, a Prefeitura Municipal informou que não mais poderia fornecer o transporte. Mas, a banda compareceu assim mesmo!


Desfile da Banda Euterpe Cachoeirense


No intervalo das apresentações...

GALERIA DE FOTOA-1

Foto da Banda ao final do Século XIX

A Banda Euterpe Cachoeirense, foi a única banda civil a se apresentar no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, em Dezembro/ 1987.

Foto Histórica da Banda, tendo sentados à frente, o sr. Juquinha Murta e seu Neca

A Banda Euterpe Cachoeirense abrilhandtando a Festa da Cavalhada em Amarantina, em Setembro de 1986.

Foto histórica da Banda Euterpe em frente ao Colégio Dom Bosco, provavelmente em meados dos anos 50.

pose histórica em meados dos anos 40/50
Banda Euterpe na festa dos seus 140 anos. Em Outubro de 1996.

Apresentação no interior da Igreja Matriz por ocasião de seus 140 anos.
Outubro de 1996.

Foto tirada em meados de 1999, no adro da Igreja Matriz.

A banda que se transformou em duas

O distrito de Cachoeira do Campo possui atualmente duas corporações musicais: a Banda Euterpe Cachoeirense e a Corporação Musical União Social. Com certeza uma riqueza inigualável quando sabemos que o distrito possui pouco mais que 6000 (seis mil) habitantes enquanto várias cidades mineiras maiores possuem apenas uma ou até não possuem sequer uma banda.

A rivalidade entre as duas corporações hoje, nem se compara ao que foi no século XIX e nas décadas de 10 a 80. A relação entre as corporações, hoje, é mais amena, limitando mais basicamente ao contexto musical. No entanto, na época em que a política era acirradíssima, também os membros das corporações se exaltavam para defender seus interesses e os da sociedade predileta.

Poucos sabem que estas duas corporações um dia, num passado distante, formavam apenas uma banda, a Euterpe Cachoeirense. A questão sobre o que realmente aconteceu para haver a separação é complexa, pois se conhecem várias versões, no entanto, ninguém tem certeza absoluta de qual foi a verdadeira. Alguns acreditam que foi causada por uma serenata: os músicos resolveram fazer uma serenata, só que apenas alguns foram chamados para tal apresentação. Aqueles que não foram convidados a participar ficaram ofendidos e decidiram montar uma banda própria.

Outra versão diz que, durante a serenata, soltaram fogos de artifício e um deles caiu na casa paroquial. O pároco irritadíssimo com o ocorrido, manifestou em um sermão durante a missa toda a sua ira contra os músicos seresteiros. A partir daí, formou-se então a dissidência, uns apoiaram os músicos e outros se solidarizaram com o padre e abandonaram a banda, indo fundar a União Social.

Ainda existe outra versão revelando que um músico conhecido como João Gonçalves, após não ser escolhido mestre da banda, abandonou-a. Daí, ele comprou alguns instrumentos para si na histórica cidade de Ouro Preto. Alguns membros da Euterpe que andavam desgostosos com a autoridade ríspida do novo mestre ( um músico chamado Mestre Chico ) passaram a serem vistos andando com João Gonçalves. Para não magoar o fundador da Euterpe, Capitão Rodrigo Murta, estes músicos não tomaram nenhuma decisão precipitada e se mantiveram com a Euterpe. Somente com a fatídica serenata, veio à tona a dissidência.

Qual das versões é a verdadeira? Ninguém sabe ao certo. Existirão outras versões? Provavelmente! O mais plausível até hoje é que tudo aconteceu em torno da serenata. O que importa é que seja lá qual teria sido o motivo da separação, tornou-se o marco inicial da história da rivalidade entre duas bandas centenárias.

Fonte: www.netpage.em.com.br/robjp/porthistoria.htm (antigo site da Banda Euterpe Cahcoeirense)

Política e banda se misturam...

A Banda Euterpe Cachoeirense do século XIX foi constituída com interesses mais partidários e políticos do que artísticos. Era tempo em que os conservadores e liberais disputavam a hegemonia política do Império e se faziam conhecer noutros setores da vida social, através da imprensa e outros empreendimentos culturais na Província de Minas. A fundação de uma banda, num contexto de musicalidade reconhecida desde os tempos coloniais, representou, durante quase meio século de lutas interpartidárias, a marca do partido Conservador naquele distrito e a adesão de um clã com raízes locais. O partido conservador era o partido da situação. Tinha o apoio dos ex-combatentes da Guerra do Paraguai e desfrutava do apoio dos seguidores da Euterpe. Do outro lado havia o partido Liberal, de oposição, do qual não temos informações a respeito de sua constituição.


Em Cachoeira do Campo, a banda de música do século XIX tinha realmente cunho político. Foi organizada não mais em função de atividades de culto religioso, mas em função de agremiações políticas com propósitos de sensibilização e apoio à expansão dos partidos. Representava um instrumento de propaganda ideológica, aliado nas disputas eleitorais na medida em que era mais um empreendimento para as populações que votavam e uma espécie de benefício estendido ao povo em geral.



O fundador da Banda Euterpe Cachoeirense, Capitão Rodrigo José de Figueiredo Murta, e seus parentes eram do partido Conservador. Aliás, a família Murta teve e tem uma participação marcante na história da corporação. Desde a fundação até os dias de hoje, a corporação sofre influência direta da família que se tornou um marco referencial quando o assunto é Banda Euterpe Cachoeirense.

DE CIMA OU TROPA DE LINHA

No tempo dos batalhões de exército, as bandas militares ganhavam o apelido de “tropa de linha”, assim como os batalhões eram chamados na época. Como participaram da Guerra do Paraguai, de 1864 a 1870, várias pessoas de nossa região, alguma s delas retornaram com formação militar e musical, trazendo também seus instrumentos musicais. Estes elementos passaram a integrar a banda Euterpe, que à época tinha poucos anos de funcionamento e era uma grande atração, passando a nossa Banda de Música a rivalizar-se com as bandas militares, recebendo, então, popularmente, este carinhoso nome. Nos estatutos da banda de 1890 e 1911 constam várias expressões tipicamente militares, como quartel, sinal de recolher, companhia, etc. o que vem reforçar este nome.



Hoje, o termo tropa de linha é muito pouco usado em Cachoeira. Mas o apelido “Banda de Cima” ainda é muito freqüente. No passado, o marco divisório de Cachoeira do Campo era a igreja matriz de Nossa Senhora de Nazaré que ficava na parte alta da localidade. Ali, próximo se constituiu a sede da banda Euterpe, e os dissidentes construíram a sua sede na parte baixa da localidade. Daí a banda Euterpe passou a ser chamada de Banda de Cima e a Banda União Social, de Banda de Baixo

A História...

A estruturação da banda...


No princípio, a banda não contava com uma diretoria completa. A parte burocrática era composta por um diretor e um mestre-regente, eleitos secretamente pelos membros da corporação ou então indicados pelo antecessor. Não havia estatuto que regesse a banda. Até a instituição do primeiro estatuto, em 1941, várias pessoas passaram pela nossa corporação ( é interessante observamos o grau de parentesco entre algumas pessoa citadas, reforçando como é forte o vínculo familiar dentro de uma banda de música do interior de Minas Gerais). Lembramos que a banda tem em seu poder a relação completa de todas as diretorias desde a fundação até os dias atuais. Abaixo citamos apenas as composições de diretoria do século XIX até 1941 e também a atual diretoria:
1856 -Fundador e Diretor: Capitão Rodrigo José de Figueiredo Murta
Mestre: Luiz Tibúrcio
1868 -Diretor: Capitão Rodrigo José de Figueiredo Murta
Mestre: Francisco Carlos de Assis Ferreira ( Mestre Chico)
1873 -Diretor e Mestre: Francisco Carlos de Assis Ferreira ( Mestre Chico)
1885 -Diretor: Capitão Rosalino Joaquim de Oliveira Quites
Mestre: Francisco Carlos de Assis Ferreira ( Mestre Chico)
1890 -Diretor: Francisco Carlos de Assis Ferreira ( Mestre Chico)
Mestre: Francisco Carlos de Assis Ferreira ( Mestre Chico)
Secretário: Agostinho José de Assis Ferreira ( filho de Mestre Chico)
Tesoureiro: Honestaldo José Ferreira Bretas
Procurador: Nicolau Marcellino Gomes da Fonseca
1897 -Diretor e mestre: Francisco Carlos de Assis Ferreira ( Mestre Chico)
1898 -Diretor: Antônio Pinto Ferreira
Mestre: Francisco Carlos de Assis Ferreira ( Mestre Chico)
1908 -Diretor e Mestre: Eliziário Augusto Ferreira
1910 -Diretor: Capitão Manuel Avelino Neves Murta ( Sr. Neca )
Mestre: José Avelino Neves Murta ( Juquinha Murta )
1911 -Diretor: Capitão Manuel Avelino Neves Murta ( Sr. Neca )
Tesoureiro: João Ancelino Pimenta
Secretário: José Avelino Neves Murta ( Juquinha Murta )
Procurador: João Francisco Ferreira
Mestre: Eliziário Augusto Ferreira

A primeira diretoria, já regida pelo estatuto foi constituída em 1941. Faziam parte dela:

Diretor: Antônio Rodrigues de Brito ( Sr. Antonico de Brito )
Secretário: Gabriel Augusto de Lemos
Tesoureiro: Afonso Maximiamo Dias
Mestre-regente: José Avelino Neves Murta ( Juquinha Murta )
Procurador: José Cirylo da Silva
Procurador: Oswaldo Augusto de Lemos ( filho de Gabriel )

A diretoria eleita em 5 de abril de 1998 e baseada na quarta reforma do estatuto da corporação, com mandato até o ano de 2002 está assim constituída:

Presidente: Jorge Brandão Murta ( filho de Juquinha Murta )
Vice-presidente: Antônio José Ferreira ( filho de João Pedro )
1º Secretário: Robson José Peixoto ( neto de Pedro Rodrigo )
2º Secretária: Rosilene Nazaré Peixoto ( neta de Pedro Rodrigo )
1º Tesoureiro: Luciano da Costa Gomes ( neto de Afonso Maximiano )
2º Tesoureiro: Maria Miranda da Silva
Diretor de patrimônio: Walter Guimarães Leite ( filho de Zé Leite )
Diretora de Divulgação: Joana Viana Tavares ( filha de Candido Viana )

Indicações da Diretoria eleita:
Mestre : Elison Luiz Tavares ( neto de Candido Viana )
Contramestre: Alessandro Luiz Maximiano Dias
Arquivista: Domingos Miranda da Silva

Fonte: www.netpage.em.com.br/robjp/porthistoria.htm (antigo site da banda)

BANDA EUTERPE CACHOEIRENSE

A BANDA EUTERPE CACHOEIRENSE, é uma Banda musical civil, criada no distrito de Cachoeira do Campo, município de Ouro Preto, Minas Gerais, em 25 de outubro de 1856. É a banda de música mais antiga de Minas Gerais em funcionamento ininterrupto.
Banda Euterpe Cachoeirense em frente à Matriz de N.Sra. de Nazaré



Teve como fundador o Capitão Rodrigo José de Figueiredo Murta, ex-combatente da Guerra do Paraguai. A Banda se constitui atualmente numa sociedade civil de direito privado, sem fins lucrativos, tendo como um dos objetivos, o ensino e divulgação da música no distrito de Cachoeira do Campo.

Neste Blog, vocês poderão acompanhar toda a trajetória da BANDA DE CIMA, a melhor!